TEORIA DO DESENVOLVIMENTO ECONOMICO: Joseph Alois Schumpeter
O primeiro capítulo da obra apresenta um modelo de economia
estacionário, fundamentado num fluxo circular da vida econômica.
Schumpeter não só percebeu o papel central do crescimento econômico para
a justiça social, como advertiu para os perigos da redistribuição prematura.
Schumpeter distinguiu claramente a entre diferença crescimento e desenvolvimento: “Nem o mero
crescimento da economia, representado pelo aumento da população e da riqueza,
será designado aqui como um processo do desenvolvimento.”
Schumpeter destaca a figura do empreendedor: “...na vida econômica,
deve-se agir sem resolver todos os detalhes do que deve ser feito. Aqui, o sucesso
depende da intuição, da capacidade de ver as coisas de uma maneira que
posteriormente se constata ser verdadeira, mesmo que no momento isso não possa
ser comprovado, e de se perceber o fato essencial, deixando de lado o
perfunctório, mesmo que não se possa demonstrar os princípios que nortearam a
ação”.
A “destruição
criadora” é a substituição de
antigos produtos e hábitos de consumir por novos, foi um passo que Schumpeter
rapidamente deu ao descrever o processo do desenvolvimento econômico.
Schumpeter considerava que o crédito ao consumidor não era um elemento essencial ao processo
econômico. Assim, afirmou que não fazia parte da “natureza econômica” de
qualquer indivíduo que ele obtivesse empréstimo para o consumo, ou da natureza
de qualquer processo produtivo que os participantes tivessem de contrair
dívidas para fins consecutivos.
Schumpeter discute a teoria do juro,
refutando conceitos antigos, e relaciona o “fenômeno” do juro com o processo de
desenvolvimento. Essa interpretação é coerente com sua ideia de que só o
empreendedor inovador necessita de crédito. A discussão, apesar de longa, é
extremamente interessante. Contestando outros economistas, que supunham que a
taxa de juros variava conforme a quantidade de dinheiro em circulação,
Schumpeter demonstra que essa relação é inversa, isto é, “o efeito imediato de
um aumento de dinheiro em circulação seria o aumento da taxa de juros e não sua
redução”.
Ele também trata dos ciclos
econômicos, ou seja, dos períodos de prosperidade e recessão econômica
comuns no processo de desenvolvimento capitalista. Embora Schumpeter
considerasse que o tratamento dado ao problema não fosse totalmente
satisfatório.
Vale ressaltar ainda que o sistema schumpeteriano
se contrapõe, em muitos
aspectos, ao sistema keynesiano.
Schumpeter e Keynes, contemporâneos que se conheceram pessoalmente, nunca
demonstraram nenhuma afinidade intelectual ou ideológica.
O pessimismo de Schumpeter em relação ao futuro do capitalismo não parece algo a se concretizar
num futuro próximo. Muito ao contrário, o triunfo final do socialismo parece
cada vez mais distante e improvável. O fato se deve, sem dúvida, à ausência,
nos países socialistas, da figura do empreendedor inovador.
A visão otimista de Schumpeter de que se o crescimento econômico no futuro fosse igual ao do passado —
quando as economias cresciam à taxa média anual de 3% — o problema social
desapareceria, tornando realidade o sonho de todos os reformadores sociais,
também não parece na iminência de concretização.
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