domingo, 26 de agosto de 2012

TEORIA DO DESENVOLVIMENTO ECONOMICO: Joseph Alois Schumpeter


TEORIA DO DESENVOLVIMENTO ECONOMICO: Joseph Alois Schumpeter

O primeiro capítulo da obra apresenta um modelo de economia estacionário, fundamentado num fluxo circular da vida econômica.
Schumpeter não só percebeu o papel central do crescimento econômico para a justiça social, como advertiu para os perigos da redistribuição prematura.
Schumpeter distinguiu claramente a entre diferença crescimento e desenvolvimento: “Nem o mero crescimento da economia, representado pelo aumento da população e da riqueza, será designado aqui como um processo do desenvolvimento.”
Schumpeter destaca a figura do empreendedor: “...na vida econômica, deve-se agir sem resolver todos os detalhes do que deve ser feito. Aqui, o sucesso depende da intuição, da capacidade de ver as coisas de uma maneira que posteriormente se constata ser verdadeira, mesmo que no momento isso não possa ser comprovado, e de se perceber o fato essencial, deixando de lado o perfunctório, mesmo que não se possa demonstrar os princípios que nortearam a ação”.
A “destruição criadora” é  a substituição de antigos produtos e hábitos de consumir por novos, foi um passo que Schumpeter rapidamente deu ao descrever o processo do desenvolvimento econômico.
Schumpeter considerava que o crédito ao consumidor não era um elemento essencial ao processo econômico. Assim, afirmou que não fazia parte da “natureza econômica” de qualquer indivíduo que ele obtivesse empréstimo para o consumo, ou da natureza de qualquer processo produtivo que os participantes tivessem de contrair dívidas para fins consecutivos.
Schumpeter discute a teoria do juro, refutando conceitos antigos, e relaciona o “fenômeno” do juro com o processo de desenvolvimento. Essa interpretação é coerente com sua ideia de que só o empreendedor inovador necessita de crédito. A discussão, apesar de longa, é extremamente interessante. Contestando outros economistas, que supunham que a taxa de juros variava conforme a quantidade de dinheiro em circulação, Schumpeter demonstra que essa relação é inversa, isto é, “o efeito imediato de um aumento de dinheiro em circulação seria o aumento da taxa de juros e não sua redução”.
Ele também trata dos ciclos econômicos, ou seja, dos períodos de prosperidade e recessão econômica comuns no processo de desenvolvimento capitalista. Embora Schumpeter considerasse que o tratamento dado ao problema não fosse totalmente satisfatório.
Vale ressaltar ainda que o sistema schumpeteriano se contrapõe, em muitos aspectos, ao sistema keynesiano. Schumpeter e Keynes, contemporâneos que se conheceram pessoalmente, nunca demonstraram nenhuma afinidade intelectual ou ideológica.
O pessimismo de Schumpeter em relação ao futuro do capitalismo não parece algo a se concretizar num futuro próximo. Muito ao contrário, o triunfo final do socialismo parece cada vez mais distante e improvável. O fato se deve, sem dúvida, à ausência, nos países socialistas, da figura do empreendedor inovador.
A visão otimista de Schumpeter de que se o crescimento econômico no futuro fosse igual ao do passado — quando as economias cresciam à taxa média anual de 3% — o problema social desapareceria, tornando realidade o sonho de todos os reformadores sociais, também não parece na iminência de concretização.

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